quinta-feira, 13 de março de 2014

ORGANIZAÇÃO ATITUDE DE CEILÂNDIA- DFCONCORRE À PREMIO POR TRABALHO EXECUTADO

Igualdade no mercado

Grupo Atitude foi criado para acabar com a exclusão social e luta pela garantia dos direitos civis

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(Foto: divulgação)
Em 1969, com apenas nove anos de fundação, Brasília já tinha 79,1 mil de pessoas com baixa renda que moravam em 14,6 mil barracos, para uma população de 500 mil habitantes em todo o Distrito Federal. Naquele ano, foi realizado em Brasília um seminário sobre problemas sociais no local. O favelamento foi o mais aparente. Reconhecendo a gravidade do problema e suas consequências, o governador Hélio Prates da Silveira solicitou a erradicação das favelas à Secretaria de Serviços Sociais, comandada por Otamar Lopes Cardoso. No mesmo ano, foi criado um grupo de trabalho que mais tarde se transformou em Comissão de Erradicação de Favelas.
Foi criada, então, a Campanha de Erradicação das Invasões (CEI), presidida pela primeira-dama, dona Vera de Almeida Silveira. Em 1971, já estavam demarcados 17,6 mil lotes, numa área de 20 quilômetros quadrados, que posteriormente foi ampliada para 231,9 quilômetros quadrados. Ceilândia hoje possui 608 mil habitantes e é a região administrativa de maior população do Distrito Federal.
O grupo Atitude nasceu dessa historia, das dificuldades e dos desafios. Tudo serviu de combustível para que o grupo fosse formado, por isso o projeto não nasceu de uma vontade ele nasceu da necessidade de mudar a realidade, mudar a história.
“Vivemos muitas situações de exclusão social, quando íamos a Brasília, cidade que fica a apenas 30 quilômetros de distancia sempre vivenciávamos preconceitos, como geralmente nossa relação com essa cidade é de prestação de serviços ter jovens propondo ações políticas não era uma coisa comum, por diversas vezes fomos perguntados se tínhamos piolhos, como falávamos e se um dia fossem a Ceilândia como as pessoas devem se vestir, falar com a população de baixa renda, como não existe favelas em torno de Brasília ver jovens de baixa renda sempre foi exótico e diferente para as pessoas dessa cidade”, diz Sérgio de Cássio Souza Nascimento, um dos fundadores do grupo.
O Grupo Atitude hoje é uma Organização não-governamental, sem fins lucrativos, criada por jovens moradores da região administrativa de Ceilândia. A organização não tem vínculo partidário, estudantil nem religioso e se fundamenta nos princípios da cidadania, na luta pela garantia dos direitos civis constituídos, acreditando estar, desta forma, contribuindo para uma sociedade mais justa e solidária.
No início de 1998 o grupo efetivou as primeiras parcerias. Esta dinâmica foi decisiva para sua solidificação, pois fomentou participações do Grupo Atitude em eventos e projetos, regionais e nacionais. Entre eles: o Festival Nacional da Juventude, em Brasília; o Vem Ser Cidadão, em Faxinal do Céu, no Paraná; o projeto Com Vivência, do Grupo Arco-Íris, e o apoio à Coordenação dos núcleos Radicais da Fundação Athos Bulcão, no Distrito Federal.
(Foto: divulgação)
A participação e apresentação do Grupo, em eventos e projetos, proporcionavam intercâmbios técnicos e estratégicos significativos. Os integrantes foram capacitados como Educadores juvenis, no Encontro Nacional dos Adolescentes (ENA) de Campinas; fizeram o Curso de Auto Sustentabilidade de Projetos pelo Ministério da Saúde e o Curso de Empreendedores Sociais, do CDS.
Além disso, estiveram no Movimento de Intercâmbio Artístico Cultural pela Cidadania (MIAC), em Salvador; no Fórum 2000 sobre AIDS na América Latina e Caribe, no Rio de Janeiro; no Simpósio Internacional sobre Gravidez na Adolescência e no Fórum de Saúde, pela Área de Saúde do Jovem e do Adolescente (ASAJ) em Brasília. Além disso, participaram do Movimento Cultural contra as Drogas / Secretaria de Educação, no DF, tornaram-se parte do Grupo Temático da Joint United Nations Programme on HIV/AIDS (UNAIDS) e, devido à legitimidade regional de sua atuação, foram convidados a participar como jurados do Festival de Cinema de Brasília.
O foco em jovens passou a abranger uma população específica: os jovens da Ceilândia /DF, e não mais temas unitários. Este foi um importante passo para que as ações pudessem ser planejadas de forma mais estratégica e para que obtivessem maior impacto social.
Em 2002, o Grupo Atitude obteve seu primeiro financiamento, advindo da Secretaria de Saúde do DF. O objetivo era a atuação dos integrantes do Grupo, como monitores educacionais, com adolescentes em conflito com a lei. De igual modo, continuaram como parte do Grupo Temático da Joint United Nations Programme on HIV/AIDS (UNAIDS).
(Foto: divulgação)
Embora o Grupo Atitude já existisse desde abril de 1998, apenas em 24 de julho de 2003 a instituição foi formalizada. A regularização da entidade trouxe uma ampla gama de possibilidades e oportunidades, uma nova rede de parceiros e aumentou a demanda pelos projetos desenvolvidos pela instituição.
Paralelamente ao processo de institucionalização foi aplicada, pela John Snow Brasil, a Metodologia de Aferição do Índice de Sustentabilidade Institucional (MAISI), instrumento desenhado para guiar a atuação das Organizações da Sociedade Civil, para que estas estejam mais aptas a alcançar impacto social efetivo em suas ações.
A entidade desenvolve ainda atividades de cunho social nas áreas de saúde, educação e defesa dos direitos de crianças e estudantes da rede pública de ensino do DF ao longo dos anos foram inúmeras ações, projetos e atividades que fizeram do grupo atitude um projeto que esteve sempre presente em diversos momentos da vida dos jovens do DF.
O Grupo Atitude trabalhou nestes anos para encontrar respostas coletivas a problemas enfrentados pelos jovens, criando espaços de debates, encontros e organização envolvendo adolescentes, operadores culturais, professores e pais. A estratégia destas atividades é trabalhar o protagonismo social dos jovens da periferia, a defesa dos direitos básicos e no mesmo tempo para propor ações e projetos de inclusão social, produtiva e cultural. A cada ano são atendidos mais de 6 mil jovens e cerca de 600 participam dos cursos e ações.

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