
(Foto: divulgação)
Em 1969, com apenas nove anos de fundação, Brasília já tinha 79,1 mil
de pessoas com baixa renda que moravam em 14,6 mil barracos, para uma
população de 500 mil habitantes em todo o Distrito Federal. Naquele ano,
foi realizado em Brasília um seminário sobre problemas sociais no
local. O favelamento foi o mais aparente. Reconhecendo a gravidade do
problema e suas consequências, o governador Hélio Prates da Silveira
solicitou a erradicação das favelas à Secretaria de Serviços Sociais,
comandada por Otamar Lopes Cardoso. No mesmo ano, foi criado um grupo de
trabalho que mais tarde se transformou em Comissão de Erradicação de
Favelas.
Foi criada, então, a Campanha de Erradicação das Invasões (CEI),
presidida pela primeira-dama, dona Vera de Almeida Silveira. Em 1971, já
estavam demarcados 17,6 mil lotes, numa área de 20 quilômetros
quadrados, que posteriormente foi ampliada para 231,9 quilômetros
quadrados. Ceilândia hoje possui 608 mil habitantes e é a região
administrativa de maior população do Distrito Federal.
O grupo Atitude nasceu dessa historia, das dificuldades e dos
desafios. Tudo serviu de combustível para que o grupo fosse formado, por
isso o projeto não nasceu de uma vontade ele nasceu da necessidade de
mudar a realidade, mudar a história.
“Vivemos muitas situações de exclusão social, quando íamos a
Brasília, cidade que fica a apenas 30 quilômetros de distancia sempre
vivenciávamos preconceitos, como geralmente nossa relação com essa
cidade é de prestação de serviços ter jovens propondo ações políticas
não era uma coisa comum, por diversas vezes fomos perguntados se
tínhamos piolhos, como falávamos e se um dia fossem a Ceilândia como as
pessoas devem se vestir, falar com a população de baixa renda, como não
existe favelas em torno de Brasília ver jovens de baixa renda sempre foi
exótico e diferente para as pessoas dessa cidade”, diz Sérgio de Cássio
Souza Nascimento, um dos fundadores do grupo.
O Grupo Atitude hoje é uma Organização não-governamental, sem fins
lucrativos, criada por jovens moradores da região administrativa de
Ceilândia. A organização não tem vínculo partidário, estudantil nem
religioso e se fundamenta nos princípios da cidadania, na luta pela
garantia dos direitos civis constituídos, acreditando estar, desta
forma, contribuindo para uma sociedade mais justa e solidária.
No início de 1998 o grupo efetivou as primeiras parcerias. Esta
dinâmica foi decisiva para sua solidificação, pois fomentou
participações do Grupo Atitude em eventos e projetos, regionais e
nacionais. Entre eles: o Festival Nacional da Juventude, em Brasília; o
Vem Ser Cidadão, em Faxinal do Céu, no Paraná; o projeto Com Vivência,
do Grupo Arco-Íris, e o apoio à Coordenação dos núcleos Radicais da
Fundação Athos Bulcão, no Distrito Federal.

(Foto: divulgação)
A participação e apresentação do Grupo, em eventos e projetos,
proporcionavam intercâmbios técnicos e estratégicos significativos. Os
integrantes foram capacitados como Educadores juvenis, no Encontro
Nacional dos Adolescentes (ENA) de Campinas; fizeram o Curso de Auto
Sustentabilidade de Projetos pelo Ministério da Saúde e o Curso de
Empreendedores Sociais, do CDS.
Além disso, estiveram no Movimento de Intercâmbio Artístico Cultural
pela Cidadania (MIAC), em Salvador; no Fórum 2000 sobre AIDS na América
Latina e Caribe, no Rio de Janeiro; no Simpósio Internacional sobre
Gravidez na Adolescência e no Fórum de Saúde, pela Área de Saúde do
Jovem e do Adolescente (ASAJ) em Brasília. Além disso, participaram do
Movimento Cultural contra as Drogas / Secretaria de Educação, no DF,
tornaram-se parte do Grupo Temático da Joint United Nations Programme on
HIV/AIDS (UNAIDS) e, devido à legitimidade regional de sua atuação,
foram convidados a participar como jurados do Festival de Cinema de
Brasília.
O foco em jovens passou a abranger uma população específica: os
jovens da Ceilândia /DF, e não mais temas unitários. Este foi um
importante passo para que as ações pudessem ser planejadas de forma mais
estratégica e para que obtivessem maior impacto social.
Em 2002, o Grupo Atitude obteve seu primeiro financiamento, advindo
da Secretaria de Saúde do DF. O objetivo era a atuação dos integrantes
do Grupo, como monitores educacionais, com adolescentes em conflito com a
lei. De igual modo, continuaram como parte do Grupo Temático da Joint
United Nations Programme on HIV/AIDS (UNAIDS).

(Foto: divulgação)
Embora o Grupo Atitude já existisse desde abril de 1998, apenas em 24
de julho de 2003 a instituição foi formalizada. A regularização da
entidade trouxe uma ampla gama de possibilidades e oportunidades, uma
nova rede de parceiros e aumentou a demanda pelos projetos desenvolvidos
pela instituição.
Paralelamente ao processo de institucionalização foi aplicada, pela
John Snow Brasil, a Metodologia de Aferição do Índice de
Sustentabilidade Institucional (MAISI), instrumento desenhado para guiar
a atuação das Organizações da Sociedade Civil, para que estas estejam
mais aptas a alcançar impacto social efetivo em suas ações.
A entidade desenvolve ainda atividades de cunho social nas áreas de
saúde, educação e defesa dos direitos de crianças e estudantes da rede
pública de ensino do DF ao longo dos anos foram inúmeras ações, projetos
e atividades que fizeram do grupo atitude um projeto que esteve sempre
presente em diversos momentos da vida dos jovens do DF.
O Grupo Atitude trabalhou nestes anos para encontrar respostas
coletivas a problemas enfrentados pelos jovens, criando espaços de
debates, encontros e organização envolvendo adolescentes, operadores
culturais, professores e pais. A estratégia destas atividades é
trabalhar o protagonismo social dos jovens da periferia, a defesa dos
direitos básicos e no mesmo tempo para propor ações e projetos de
inclusão social, produtiva e cultural. A cada ano são atendidos mais de 6
mil jovens e cerca de 600 participam dos cursos e ações.